A queixa por maus tratos domésticos por parte do companheiro, feita por Isaura Morais, actual Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, constitui um episódio que marcou a agenda noticiosa regional nos últimos dias.
A explicação da autarca para só agora ter denunciado uma situação não recente (só agora “senti que tinha apoio para isso”) surge-nos como particularmente significativa e sugere, afinal, todo um mundo, oculto, de vergonhas, medos e incompreensões.
Estamos a falar de uma pessoa instruída, casada em primeiras núpcias com um antigo vereador, Presidente da Junta de Freguesia de Rio Maior, candidata vencedora e actual Presidente do respectivo Município.
Não, propriamente, da Ti Maria das Dores, camponesa e analfabeta, residente em Carquejais no interior, mais remoto, do concelho de Sátão.
E, mesmo assim, só agora a mesma “sentiu que tinha apoio” para tomar uma atitude que, em Portugal, ainda é (e não deveria ser) um acto de coragem!
Porque a lei não protege, nestes casos, convenientemente, as vítimas!
Porque a sociedade não compreende muitas vezes a reacção das mesmas, olhando-as como alguém “coitadas”, que “tiveram azar na vida”, mas a quem, agora, só resta sofrer, de preferência em silêncio, “ganhando assim (definitivamente), o céu!”
Porque as autoridades não encaram conveniente a situação, desvalorizando-a e desencorajando as denúncias, dentro da tal asserção popular (que também enforma a anterior perspectiva social) que “entre marido e mulher não se mete a colher”.
Não admira, assim, que embora sujeitas a agressões diárias e continuadas, mesmo as vítimas pertencentes a classes sociais mais elevadas tenham muitas vezes dificuldades em obter “apoio” para tal decisão: apoio moral, social e, quantas vezes, de segurança e integridade física!
Que tenham dificuldade, afinal, em reivindicar um dos mais básicos direitos individuais; o direito à protecção contra a violência, explícita e interminável, seja ela de que natureza for e venha de onde vier!
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Espaço de comunicação que se espera interactivo, este é um instrumento que permite estar próximo de amigos,presentes e futuros, cujas contingências da vida tornam distantes mas nem por isso menos merecedores de estimas e afectos.
Espaço de comunicação que se espera interactivo, este é um instrumento que permite estar próximo de amigos,presentes e futuros, cujas contingências da vida tornam distantes mas nem por isso menos merecedores de estimas e afectos.
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
Morreu José Saramago
Morreu José Saramago!
Personagem controversa, constituía, contudo, a mais importante figura da actual literatura de língua portuguesa.
Figura que, para uns, era um mal disposto crónico, plasmado das certezas que o marxismo induz. Para outros, uma pessoa de ideias próprias, sem paciência para um mundo onde domina a lógica de rebanho e a ilusão do faz de conta.
Para uns, alguém que desmistificando mitos ancestrais, não receou enfrentar a toda-poderosa hierarquia católica. Para outros, alguém que se serviu de uma imagem conveniente de “anti-cristo” para potenciar, ainda mais, a promoção das suas obras.
A sua morte lançou mais uma vez a polémica!
Para alguns, o Estado não soube separar diferentes (mas naturais) visões do Mundo, do facto incontroverso de se tratar de um dos poucos portugueses de dimensão mundial. “Anti-fachista” e personalidade de inegável sentido de justiça social.
Outros, argumentam com a sua perspectiva totalitária e com o facto de “não ser um democrata” e “defensor, inequívoco, da liberdade”.
Todos, naturalmente, absolutamente convictos da sua verdade! Sem perceber, aliás, a relatividade das coisas!
Afinal, a liberdade permite e fomenta a desigualdade e pode reduzir a justiça social a níveis, muitas vezes, incipientes.
Já a limitação da mesma (chamemos-lhe assim), embora possa impor níveis de justiça e equidade maiores, acarreta formas de imposição e coerção que tolhem e oprimem a autonomia individual.
O ideal seria viver numa sociedade, simultaneamente, mais justa e mais livre!
Enquanto isso não acontece, vamos defendendo sistemas políticos que impõem coercivamente a justiça social ou permitem, livremente, discriminações e desigualdades várias.
Sem que, em qualquer dos casos, nos possamos vangloriar dos mesmos constituírem um ideal simultaneamente sublime e realizável.
Pelo menos, inequivocamente sublime e inequivocamente realizável.
Aurélio Lopes
A esfinge tejana
Do alto da colina, em atalaia, a esfinge, intemporal, observa a planície a seus pés!
- O grande rio, matriz genética da Região, cuja vestuta idade exigiria bem mais respeito.
- As aldeias avieiras do Patacão, das Caneiras e da Palhota, imagens paradigmáticas de um património turístico-cultural desprezado.
- A zona ribeirinha de Santarém, cuja recuperação se projecta numa eternização futura.
- O Palácio da Rainha, na Azambuja, provavelmente o maior desperdício de turismo fluvial do país.
- Os incontáveis e estivais festivais de folclore. Recorrentemente, cada vez mais “festivais” e, menos, “de folclore”!
- A persistência, difícil, da festa brava. Fruto de conflitos entre as razões da tradição e os imperativos de modernidade.
- A anacrónica divisão administrativa do Ribatejo; criação inolvidável dos inúmeros e antagónicos lobbys políticos. Responsáveis, afinal, pela actual situação de apêndices regionais da Grande Lisboa e agora, até, do Alentejo.
- Uma prosaica classe política; maioritariamente amorfa, egoísta e incompetente.
- O cheiro peculiar do Alviela, cuja problemática odorífera flutua entre uma excessiva quantidade de dejectos, uma excessiva insuficiência de água e uma excessiva (e particular, dir-se-á) sensibilidade dos seus peixes.
- A Feira Nacional da Agricultura, cada vez menos nacional e em que, apenas, as atracções circenses vão mantendo um populista simulacro de grandeza!
E enquanto o mundo, em seu redor, permanece, a esfinge tejana observa, impassível!
Aurélio Lopes
sábado, 29 de maio de 2010
O Visitante de Saturno
Estes terráqueos são loucos!
Uns mais outros menos, claro, mas sensatez é algo que, ao que parece, não abunda neste mundo interior do sistema!
Há alguns anos saturninos que me venho debruçando sobre esta espécie indígena do terceiro planeta e, ainda hoje, muitos dos seus comportamentos constituem para mim um completo e absoluto mistério.
Raramente dizem o que pensam e, muitas vezes, nem sequer pensam o que dizem!
É vê-los, impassíveis, cogitar uma coisa, dizer uma outra e fazer quase sempre uma terceira, algumas vezes, por incrível que pareça, literalmente contrária!
Por exemplo, no seu desporto mais popular, “o futebol”, a atitude típica de “despedimento” de um “treinador” parece exigir, previamente (e por mais absurdo que seja), um reafirmar público da solidez do seu contrato e um firme desmentido da eventualidade, mesmo que remota, de uma rotura. Por outro lado, “dar os parabéns” a um árbitro pelo seu desempenho parece querer dizer, pura e simplesmente, que o mesmo foi particularmente desonesto!
Esta lógica alienígena é, de facto, de loucos!
Nos últimos tempos tenho dirigido a minha atenção para uma pequena e peculiar nação localizada no extremo ocidental do grande continente a que os terráqueos chamam “Euro-Ásia”. A análise das suas emissões electromagnéticas (que aqui se designam por T. V.) revela-nos os mais excêntricos comportamentos e mostra-nos que, à semelhança de todos os outros, também estes humanos são dotados de uma moral algo tortuosa e de uma ética pouco menos que inacessível às espécies galácticas mais evoluídas. Aí, os rituais de acasalamento constituem uma verdadeira obsessão!
Uma observação, mesmo que superficial, mostra-nos cobaias impiedosamente acorrentadas e expostas publicamente, utilizando-se tal indignidade, ao que parece, para estudar formas sexuais e de sedução em situações limite. Vítimas indefesas são encarceradas por longos períodos, com certeza para analisar as tensões sociais e os mecanismos de acasalamento que se desenvolvem nas permanências em espaços fechados, bem como avaliar os níveis de agressividade daí decorrentes.
Parece que dantes usavam “ratos”. Ainda não é perfeitamente claro porque passaram a utilizar pessoas!
Aliás, mesmo a utilização de animais inferiores neste tipo de experiências é, como se sabe, uma problemática candente um pouco por toda a Galáxia. Agora, utilizar animais sapientes (pelo menos pretensamente sapientes) e ainda por cima da mesma espécie, eis um costume capaz de chocar o mais volúvel dos Sirianos!!
Mas este tipo de absurdos perpassa toda a sua vivência. Queimam folhas secas de uma planta a que chamam “tabaco” ingerindo o fumo de que são muito gulosos. Mas enquanto o consumo desta substância é perfeitamente legal e até prestigiado (aliás à semelhança de outras como o “álcool” ou a “cafeína”) algumas como a “marijuana” e o “haxixe”, de natureza idêntica e gravidade semelhante, são terminantemente proibidas e os seus consumidores (tão viciados como os outros, assinale-se) estigmatizados e marginalizados!
Há aqui, com certeza, qualquer coisa que me escapa!
Um aspecto particularmente curioso respeita ao comportamento dos seus líderes e dirigentes a que, na linguagem indígena, se chama “políticos”. Estes são personagens assaz peculiares que falam profusamente “do povo”, “pr’ó povo” e “pelo povo” mas curiosamente, não parecem apreciar, especialmente, a sua presença! Apregoam aos quatro ventos serem apenas motivados por inexcedíveis “espíritos de missão” e de “sacrifício pelo bem público” mas, paradoxalmente, parecem resistir a todos e mais alguns esforços desenvolvidos para os aliviar de tão penoso fardo!
Tendem a agrupar-se em estruturas associativas denominadas “partidos”, supostamente constituídas por “políticos” com ideias e ideais semelhantes. Tais semelhanças não são, porém, muito perceptíveis para um observador externo. Na verdade, a competitividade herdada do seu passado “primata e predador” é permanente, e adquire até, muitas vezes, contornos violentos, principalmente quando em disputa determinados lugares a que aqui, por razões obscuras, se denominam “tachos”.
E, incongruência das incongruências, tudo isto acontece enquanto estes e outros dirigentes do mesmo grupo vão proferindo publicamente discursos atrás de discursos, salientando a invulgar coesão interna e a inexcedível solidariedade partidária!!
Enfim! Sei que a exo-biologia é a ciência do surpreendente! Mas,... (por Zarkan!) como é que uma espécie que cultiva assim a irracionalidade conseguiu, até hoje, sobreviver?!
O seu sistema governativo, por exemplo, assenta naquilo a que chamam “democracia”: uma espécie de populismo controlado semelhante ao nosso período pré-Zarkiano. É suposto que, nesse contexto, quanto maior for a participação popular (tanto eleitoral como de acompanhamento das decisões tomadas) mais forte e saudável é o “sistema democrático”. É suposto!
Apesar disso os discursos políticos são incompreensíveis para a larga maioria da população! Mais ainda, alguns são até incompreensíveis em absoluto, isto é; não só não dizem nada como não pretendem dizer seja o que for!
Parecem funcionar apenas como uma espécie de soporíferos; fórmulas estereotipadas destinadas a sugestionar pela forma e a cativar audiências. São assim como mecanismos de verbalização hipnótica que estes hominídeos parecem particularmente apreciar.
E eu que podia estar confortavelmente estudando os “homens-lagartos” de Procrion ou os “vampiros energéticos” de Belteugese! Quem me mandou optar pelos esquisitóides dos terráqueos?!
Ainda agora, após toda a classe política ter feito profissão de fé na necessidade urgente de aumentar a participação dos “portugueses” (nome que estes alienígenas dão a si próprios) tanto na vida pública como política (na sequência, aliás, de uma “eleição” escassamente concorrida) o governo prepara-se para aprovar uma lei para os “municípios” (espécie de governos locais) que na prática retira aos pequenos “partidos”, aos “independentes” e às “organizações cívicas” toda e qualquer possibilidade de intervir na política municipal!
E dizer que é esta a espécie dominante no planeta!
Aliás, penso até que estes espantosos dados irão relançar a velha questão filosófica de saber se as espécies planetariamente dominantes terão de ser sempre, e forçosamente, espécies sapientes!
Uns mais outros menos, claro, mas sensatez é algo que, ao que parece, não abunda neste mundo interior do sistema!
Há alguns anos saturninos que me venho debruçando sobre esta espécie indígena do terceiro planeta e, ainda hoje, muitos dos seus comportamentos constituem para mim um completo e absoluto mistério.
Raramente dizem o que pensam e, muitas vezes, nem sequer pensam o que dizem!
É vê-los, impassíveis, cogitar uma coisa, dizer uma outra e fazer quase sempre uma terceira, algumas vezes, por incrível que pareça, literalmente contrária!
Por exemplo, no seu desporto mais popular, “o futebol”, a atitude típica de “despedimento” de um “treinador” parece exigir, previamente (e por mais absurdo que seja), um reafirmar público da solidez do seu contrato e um firme desmentido da eventualidade, mesmo que remota, de uma rotura. Por outro lado, “dar os parabéns” a um árbitro pelo seu desempenho parece querer dizer, pura e simplesmente, que o mesmo foi particularmente desonesto!
Esta lógica alienígena é, de facto, de loucos!
Nos últimos tempos tenho dirigido a minha atenção para uma pequena e peculiar nação localizada no extremo ocidental do grande continente a que os terráqueos chamam “Euro-Ásia”. A análise das suas emissões electromagnéticas (que aqui se designam por T. V.) revela-nos os mais excêntricos comportamentos e mostra-nos que, à semelhança de todos os outros, também estes humanos são dotados de uma moral algo tortuosa e de uma ética pouco menos que inacessível às espécies galácticas mais evoluídas. Aí, os rituais de acasalamento constituem uma verdadeira obsessão!
Uma observação, mesmo que superficial, mostra-nos cobaias impiedosamente acorrentadas e expostas publicamente, utilizando-se tal indignidade, ao que parece, para estudar formas sexuais e de sedução em situações limite. Vítimas indefesas são encarceradas por longos períodos, com certeza para analisar as tensões sociais e os mecanismos de acasalamento que se desenvolvem nas permanências em espaços fechados, bem como avaliar os níveis de agressividade daí decorrentes.
Parece que dantes usavam “ratos”. Ainda não é perfeitamente claro porque passaram a utilizar pessoas!
Aliás, mesmo a utilização de animais inferiores neste tipo de experiências é, como se sabe, uma problemática candente um pouco por toda a Galáxia. Agora, utilizar animais sapientes (pelo menos pretensamente sapientes) e ainda por cima da mesma espécie, eis um costume capaz de chocar o mais volúvel dos Sirianos!!
Mas este tipo de absurdos perpassa toda a sua vivência. Queimam folhas secas de uma planta a que chamam “tabaco” ingerindo o fumo de que são muito gulosos. Mas enquanto o consumo desta substância é perfeitamente legal e até prestigiado (aliás à semelhança de outras como o “álcool” ou a “cafeína”) algumas como a “marijuana” e o “haxixe”, de natureza idêntica e gravidade semelhante, são terminantemente proibidas e os seus consumidores (tão viciados como os outros, assinale-se) estigmatizados e marginalizados!
Há aqui, com certeza, qualquer coisa que me escapa!
Um aspecto particularmente curioso respeita ao comportamento dos seus líderes e dirigentes a que, na linguagem indígena, se chama “políticos”. Estes são personagens assaz peculiares que falam profusamente “do povo”, “pr’ó povo” e “pelo povo” mas curiosamente, não parecem apreciar, especialmente, a sua presença! Apregoam aos quatro ventos serem apenas motivados por inexcedíveis “espíritos de missão” e de “sacrifício pelo bem público” mas, paradoxalmente, parecem resistir a todos e mais alguns esforços desenvolvidos para os aliviar de tão penoso fardo!
Tendem a agrupar-se em estruturas associativas denominadas “partidos”, supostamente constituídas por “políticos” com ideias e ideais semelhantes. Tais semelhanças não são, porém, muito perceptíveis para um observador externo. Na verdade, a competitividade herdada do seu passado “primata e predador” é permanente, e adquire até, muitas vezes, contornos violentos, principalmente quando em disputa determinados lugares a que aqui, por razões obscuras, se denominam “tachos”.
E, incongruência das incongruências, tudo isto acontece enquanto estes e outros dirigentes do mesmo grupo vão proferindo publicamente discursos atrás de discursos, salientando a invulgar coesão interna e a inexcedível solidariedade partidária!!
Enfim! Sei que a exo-biologia é a ciência do surpreendente! Mas,... (por Zarkan!) como é que uma espécie que cultiva assim a irracionalidade conseguiu, até hoje, sobreviver?!
O seu sistema governativo, por exemplo, assenta naquilo a que chamam “democracia”: uma espécie de populismo controlado semelhante ao nosso período pré-Zarkiano. É suposto que, nesse contexto, quanto maior for a participação popular (tanto eleitoral como de acompanhamento das decisões tomadas) mais forte e saudável é o “sistema democrático”. É suposto!
Apesar disso os discursos políticos são incompreensíveis para a larga maioria da população! Mais ainda, alguns são até incompreensíveis em absoluto, isto é; não só não dizem nada como não pretendem dizer seja o que for!
Parecem funcionar apenas como uma espécie de soporíferos; fórmulas estereotipadas destinadas a sugestionar pela forma e a cativar audiências. São assim como mecanismos de verbalização hipnótica que estes hominídeos parecem particularmente apreciar.
E eu que podia estar confortavelmente estudando os “homens-lagartos” de Procrion ou os “vampiros energéticos” de Belteugese! Quem me mandou optar pelos esquisitóides dos terráqueos?!
Ainda agora, após toda a classe política ter feito profissão de fé na necessidade urgente de aumentar a participação dos “portugueses” (nome que estes alienígenas dão a si próprios) tanto na vida pública como política (na sequência, aliás, de uma “eleição” escassamente concorrida) o governo prepara-se para aprovar uma lei para os “municípios” (espécie de governos locais) que na prática retira aos pequenos “partidos”, aos “independentes” e às “organizações cívicas” toda e qualquer possibilidade de intervir na política municipal!
E dizer que é esta a espécie dominante no planeta!
Aliás, penso até que estes espantosos dados irão relançar a velha questão filosófica de saber se as espécies planetariamente dominantes terão de ser sempre, e forçosamente, espécies sapientes!
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Anestesiados
O país está em crise!
Nada a que não estejamos habituados! Afinal, é a trigésima sexta crise desde o 25 de Abril!
O país está desmotivado!
Sem chama nem alma!
Já nem os inegáveis atributos oratórios do Senhor Engenheiro (que, assim como assim, bem podia ter encomendado uma licenciatura em Direito) nos conseguem animar!
O país está descrente!
Há muito que não acreditamos nos dirigentes deste país!
Mas agora, nem estes parecem acreditar em si próprios! Ou pelo menos, acreditar que nos possam fazer acreditar de novo!
O país está anestesiado!
Já não reage. Já não “tuge nem muge”!
Aceita passivamente, os escandalosos aumentos da gasolina, em situação bem diferenciada do mercado energético!
Os índices desesperantes de desemprego e o, cada vez maior, emprego precário!
Os brutais aumentos imediatos dos impostos (directos e indirectos), por aqueles que se comprometeram a não os aumentar.
O aumento mediato da carga fiscal que a construção, manutenção e previsível défice de exercício corrente do TGV vai originar, num país cuja “tanga” se parece cada vez mais com um elegante “fio dental!
O país está resignado!
Acabrunhado! Convencido da inevitabilidade das coisas e da inutilidade de as contestar!
Já não se indigna com as repetidas fraudes e corrupções que parecem fazer do nosso um país de corruptos!
Já não se reconhece nas forçadas expectativas de um hipotético brilharete no Mundial, esforçadamente repetidas pelos responsáveis da Selecção!
Já não se entusiasma com a visita do Papa!
Já não se revolta com a inqualificável eternização do Processo Casa Pia!
Pelos vistos, as únicas coisas que ainda fazem parte significativa do país vibrar, são as vitórias do Benfica!
O que até pode ser gratificante para o clube!
Mas é, com certeza, deplorável para o país!
Aurélio Lopes
Nada a que não estejamos habituados! Afinal, é a trigésima sexta crise desde o 25 de Abril!
O país está desmotivado!
Sem chama nem alma!
Já nem os inegáveis atributos oratórios do Senhor Engenheiro (que, assim como assim, bem podia ter encomendado uma licenciatura em Direito) nos conseguem animar!
O país está descrente!
Há muito que não acreditamos nos dirigentes deste país!
Mas agora, nem estes parecem acreditar em si próprios! Ou pelo menos, acreditar que nos possam fazer acreditar de novo!
O país está anestesiado!
Já não reage. Já não “tuge nem muge”!
Aceita passivamente, os escandalosos aumentos da gasolina, em situação bem diferenciada do mercado energético!
Os índices desesperantes de desemprego e o, cada vez maior, emprego precário!
Os brutais aumentos imediatos dos impostos (directos e indirectos), por aqueles que se comprometeram a não os aumentar.
O aumento mediato da carga fiscal que a construção, manutenção e previsível défice de exercício corrente do TGV vai originar, num país cuja “tanga” se parece cada vez mais com um elegante “fio dental!
O país está resignado!
Acabrunhado! Convencido da inevitabilidade das coisas e da inutilidade de as contestar!
Já não se indigna com as repetidas fraudes e corrupções que parecem fazer do nosso um país de corruptos!
Já não se reconhece nas forçadas expectativas de um hipotético brilharete no Mundial, esforçadamente repetidas pelos responsáveis da Selecção!
Já não se entusiasma com a visita do Papa!
Já não se revolta com a inqualificável eternização do Processo Casa Pia!
Pelos vistos, as únicas coisas que ainda fazem parte significativa do país vibrar, são as vitórias do Benfica!
O que até pode ser gratificante para o clube!
Mas é, com certeza, deplorável para o país!
Aurélio Lopes
segunda-feira, 10 de maio de 2010
O princípio de Peter
Já não é a primeira vez que me refiro à ideia brilhante de substituir a marca “Vinho Ribatejo” por “Vinho Tejo”!
Na sequência da morte anunciada do Ribatejo enquanto comunidade administrativa seja de que natureza for, esta última decisão corresponde essencialmente ao colocar solene da lápide; suficientemente pesada para que o dito nunca mais se lembre de ressuscitar!
Decisão que se reveste, aliás, de contornos particularmente aberrantes!
Atente-se: abdicar de uma marca já conhecida (e o mais difícil é torna-la conhecida), supostamente positiva e bem identificadora da localização produtiva, em prol de uma marca nova, logo desconhecida, susceptível até de ser coincidente com marcas espanholas (actuais ou futuras) provavelmente mais poderosas comercialmente, corresponde, à primeira vista, a uma macarrónica opção que só mentes distorcidas poderiam arquitectar.
É um daqueles momentos em que lembramos o “Princípio de Peter” e a relação directa que o mesmo estabelece entre o êxito social e político e as limitações intelectuais. Mais precisamente, aquele que diz que “qualquer pessoa ascende socialmente até atingir o seu respectivo nível de incompetência!”
Aliás, leva-nos inclusivamente a pensar qual terá sido a delirante razão que levou, afinal, à tão, á primeira vista, estapafúrdia decisão.
E, desde logo me ocorrem três, qual delas, no entanto, a mais absurda.
A primeira é que a palavra “Ribatejo” lhes seja tão abominável (fruto, com certeza, da estigmatização politica praticada nas últimas décadas) que qualquer utilização do mesma seja vista como uma insuportável heresia e os seus utilizadores, sei lá, como insuportáveis traidores ou retrógrados!
A segunda é que se trate (no contexto, aliás, das brilhantes considerações “petersianas” atrás traçadas) de simples e pura incompetência!
A não ser, como dizia há dias um amigo meu, que seja consequência directa de ter sido uma decisão tomada na parte da tarde!
Afinal, sabe-se bem como é que aquele pessoal ligado ao vinho fica depois de almoço!
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Personagens e actores
Confrontando-se com a escassez de elementos masculinos entre os seus componentes, alguns agrupamentos folcoricos têm optado por transvestir algumas raparigas, vestindo-as com trajes masculinos e criando assim um simulacro de representação que podemos definir como algo burlesco.
Ora bem, os novos condicionalismos sociais que fazem dos nossos jovens indivíduos dotados de outras perspectivas e sujeitos de outras motivações, vai retirando aos grupos folclóricos o papel tradicional de elemento social integrador e oportunidade basilar de convívio um pouco por todo o país e, pontualmente, pelo estrangeiro.
Assim o seu papel de aglutinador de anseios e expectativas vai-se naturalmente diluindo. E a sua capacidade mobilizadora, naturalmente decaindo.
È mais um efeito da mudança social em curso, sobre a qual os responsáveis desta área, nomeadamente a Federação, se deveriam debruçar! Se, naturalmente percebessem, pelo menos, o que isso é!
Perceber, por exemplo, que os grupos folclóricos têm, cada vez mais, obrigação de fomentar e diversificar as suas capacidades de atracção de novos elementos. Diversificando iniciativas e formas de representação. Delegando competências directivas e não só! Contextualizando os padrões culturais apresentados. Atraindo jovens e não jovens sensibilizados para as questões culturais e patrimoniais e não apenas para a actividade recreativa da dança, de motivação mais intensa mas muito mais efémera.
Já não chega, hoje, simplesmente existir! É preciso algo mais!
É assim normal que alguns grupos se vão debatendo com lacunas nas suas fileiras. De raparigas e mais frequentemente de rapazes, ainda hoje (apesar de tudo), com mais autonomia social e alvo de maiores solicitações lúdicas.
Isto e o facto de muitos responsáveis por agrupamentos não fazerem, muitas vezes, ideia da matriz conceptual que está ligada à representação folclórica, leva-os a fazer disparates desses.
É um facto que, como o nome indica, a apresentação de um espectáculo de folclore é, enquanto actividade, essencialmente uma representação. Composta de um conjunto de personagens que resultam do desempenho de determinados papéis por um determinado conjunto de actores.
È também um facto que, em última instancia, o encarnar de qualquer personagem pode ser desempenhado por um qualquer actor: homem ou mulher!
È até verdade que nos primórdios do teatro só os homens eram actores, desempenhado aí, indiferentemente, papéis masculinos e femininos.
Tudo isto é verdade!
Mas...
Mas, não estamos no século XVIII, em que a uma mulher minimamente respeitável era interdito participar em qualquer espectáculo. Principalmente público!
Nem a representação folclórica é, enquanto essência, semelhante à representação de uma peça teatral de autor, cuja reinterpretação ou manipulação apenas tem limites nos limites da criatividade artística do encenador ou dramaturgo.
Uma representação folclórica pretende ser uma aproximação o mais rigorosa possível, às vivências seculares; preferencialmente representadas tanto na forma como no conteúdo.
Quer isto dizer que colocar homens a fazer o papel de mulheres ou, como é o caso, mulheres a fazer o papel de homens surge como uma incongruência no contexto socio-cultural da representação.
Numa representação que tenta recriar em palco (e não só) de uma forma coerente, o modelo vivencial ancestral em que se movimentavam os membros das comunidades aí representados, tal subterfúgio soa, naturalmente, a falso!
È afinal tal situação é absolutamente desnecessária!
Por isso é um erro maior ainda!
É que os grupos folclóricos não têm que ter (como muitas vezes se pensa) nem um determinado número de pares (“requeridos” apenas por razões de eficácia coreográfica, a maior parte das vezes falaciosas) nem, naturalmente, o mesmo número de rapazes e raparigas.
Se se der o caso dos rapazes serem em maior número, tudo se resolve gerindo em alternância a participação dos mesmos No caso referido (excesso de raparigas), a solução é ainda mais simples: simplesmente porque, as ditas, dançavam tradicionalmente, muitas vezes, umas com as outras!
Por razões diversas, em alturas diversas, de forma temporariamente mais breve ou demorada mas, principalmente, de forma natural, espontânea e... frequente.
Deste modo, se encarada enquanto mecanismo de representatividade, tal situação (ao invés de um défice) pode e deve ser encarada, até, como uma mais valia!
Para isso, contudo, muitos dos responsáveis dos grupos folclóricos para quem estas coisas são a “quadratura do círculo”, terão de parar um bocadinho para pensar!
Eu sei que essa coisa de pensar, muitas vezes, faz dores de cabeça! Mas,... façam lá um esforçozinho!
Comecem por fazer esta pergunta: o que é que eu estou a aqui a fazer? O que é que eu quero representar?
Vão ver que vão chegar à conclusão, que pretendem (nem mais nem menos), que representar os bailes e iniciativas afins que, duma forma ou doutra, em tempos idos, animavam as nossas comunidades especialmente do interior; as nossas aldeias rurais se quisermos.
Depois, só têm que saber como eram os tais bailes! Qual a lógica e a funcionalidade dos mesmos!
Em suma,.. têm que saber como era, para puderem, agora, contar como foi!
Será que é assim tão difícil?!!
Ora bem, os novos condicionalismos sociais que fazem dos nossos jovens indivíduos dotados de outras perspectivas e sujeitos de outras motivações, vai retirando aos grupos folclóricos o papel tradicional de elemento social integrador e oportunidade basilar de convívio um pouco por todo o país e, pontualmente, pelo estrangeiro.
Assim o seu papel de aglutinador de anseios e expectativas vai-se naturalmente diluindo. E a sua capacidade mobilizadora, naturalmente decaindo.
È mais um efeito da mudança social em curso, sobre a qual os responsáveis desta área, nomeadamente a Federação, se deveriam debruçar! Se, naturalmente percebessem, pelo menos, o que isso é!
Perceber, por exemplo, que os grupos folclóricos têm, cada vez mais, obrigação de fomentar e diversificar as suas capacidades de atracção de novos elementos. Diversificando iniciativas e formas de representação. Delegando competências directivas e não só! Contextualizando os padrões culturais apresentados. Atraindo jovens e não jovens sensibilizados para as questões culturais e patrimoniais e não apenas para a actividade recreativa da dança, de motivação mais intensa mas muito mais efémera.
Já não chega, hoje, simplesmente existir! É preciso algo mais!
É assim normal que alguns grupos se vão debatendo com lacunas nas suas fileiras. De raparigas e mais frequentemente de rapazes, ainda hoje (apesar de tudo), com mais autonomia social e alvo de maiores solicitações lúdicas.
Isto e o facto de muitos responsáveis por agrupamentos não fazerem, muitas vezes, ideia da matriz conceptual que está ligada à representação folclórica, leva-os a fazer disparates desses.
É um facto que, como o nome indica, a apresentação de um espectáculo de folclore é, enquanto actividade, essencialmente uma representação. Composta de um conjunto de personagens que resultam do desempenho de determinados papéis por um determinado conjunto de actores.
È também um facto que, em última instancia, o encarnar de qualquer personagem pode ser desempenhado por um qualquer actor: homem ou mulher!
È até verdade que nos primórdios do teatro só os homens eram actores, desempenhado aí, indiferentemente, papéis masculinos e femininos.
Tudo isto é verdade!
Mas...
Mas, não estamos no século XVIII, em que a uma mulher minimamente respeitável era interdito participar em qualquer espectáculo. Principalmente público!
Nem a representação folclórica é, enquanto essência, semelhante à representação de uma peça teatral de autor, cuja reinterpretação ou manipulação apenas tem limites nos limites da criatividade artística do encenador ou dramaturgo.
Uma representação folclórica pretende ser uma aproximação o mais rigorosa possível, às vivências seculares; preferencialmente representadas tanto na forma como no conteúdo.
Quer isto dizer que colocar homens a fazer o papel de mulheres ou, como é o caso, mulheres a fazer o papel de homens surge como uma incongruência no contexto socio-cultural da representação.
Numa representação que tenta recriar em palco (e não só) de uma forma coerente, o modelo vivencial ancestral em que se movimentavam os membros das comunidades aí representados, tal subterfúgio soa, naturalmente, a falso!
È afinal tal situação é absolutamente desnecessária!
Por isso é um erro maior ainda!
É que os grupos folclóricos não têm que ter (como muitas vezes se pensa) nem um determinado número de pares (“requeridos” apenas por razões de eficácia coreográfica, a maior parte das vezes falaciosas) nem, naturalmente, o mesmo número de rapazes e raparigas.
Se se der o caso dos rapazes serem em maior número, tudo se resolve gerindo em alternância a participação dos mesmos No caso referido (excesso de raparigas), a solução é ainda mais simples: simplesmente porque, as ditas, dançavam tradicionalmente, muitas vezes, umas com as outras!
Por razões diversas, em alturas diversas, de forma temporariamente mais breve ou demorada mas, principalmente, de forma natural, espontânea e... frequente.
Deste modo, se encarada enquanto mecanismo de representatividade, tal situação (ao invés de um défice) pode e deve ser encarada, até, como uma mais valia!
Para isso, contudo, muitos dos responsáveis dos grupos folclóricos para quem estas coisas são a “quadratura do círculo”, terão de parar um bocadinho para pensar!
Eu sei que essa coisa de pensar, muitas vezes, faz dores de cabeça! Mas,... façam lá um esforçozinho!
Comecem por fazer esta pergunta: o que é que eu estou a aqui a fazer? O que é que eu quero representar?
Vão ver que vão chegar à conclusão, que pretendem (nem mais nem menos), que representar os bailes e iniciativas afins que, duma forma ou doutra, em tempos idos, animavam as nossas comunidades especialmente do interior; as nossas aldeias rurais se quisermos.
Depois, só têm que saber como eram os tais bailes! Qual a lógica e a funcionalidade dos mesmos!
Em suma,.. têm que saber como era, para puderem, agora, contar como foi!
Será que é assim tão difícil?!!
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