*********************************************************************************************************************************************************************

Espaço de comunicação que se espera interactivo, este é um instrumento que permite estar próximo de amigos,presentes e futuros, cujas contingências da vida tornam distantes mas nem por isso menos merecedores de estimas e afectos.


**********************************************************************************************************************************************************************


sábado, 2 de abril de 2016

Confrangedor



 Fui mais uma vez às Festas da Cidade (de Santarém, entenda-se) no feriado municipal de São José, este ano simultaneamente sábado.
Mas se pensei que tal poderia melhorar a deplorável situação habitual, depressa me enganei.
A imagem que encontrei foi confrangedora.
Mais confrangedora, ainda, que nos anos anteriores.
Se é que tal é possível.
Apesar de feriado e sábado, apesar de, por definição, o dia mais importante dos festejos, o cenário era digno de lástima.
Meia dúzia de grupos folclóricos (habituais “paus de arara” das iniciativas autárquicas) resistia, estoicamente, desde manhã, dando corpo a um suposto “mercado tradicional".
Algumas dezenas de pessoas deambulavam erraticamente, de um lado para o outro, numa busca insana de algo que as interessasse.
Os espaços na Casa do Campino, vendedores de bolos, queijos, doces e fumeiros encontravam-se quase vazios. Os artesãos desunhavam-se por um pontual cliente.
Até os feirantes (carrocéis, carros de choque, bares de farturas ou de bifanas) esperavam e desesperavam por clientes que fizessem funcionar maquinismos e tesourarias.
Um “speaker” pouco entusiasmado, anunciava um espetáculo da Orquestra Típica para a noite: da qual distavam cinco ou seis horas.
O ambiente era semelhante a uma festa anual de uma qualquer aldeia rural do concelho. Provavelmente, ainda, menos concorrida e entusiasta.
Situação que um dia climatologicamente instável, só por si, não explica.
Mas se explica, também, pelo processo de morte lenta de uma iniciativa, há décadas, enteada dos interesses e motivações dos sucessivos responsáveis municipais.
Afinal, se considerarmos que se trata do dia mais importante das referidas festividades, suposto clímax do tempo festivo anual de uma cidade já capital de Distrito e de Província, dotada de um invulgar e milenar património histórico e cultural (tanto tangível como intangível), a conclusão inevitável não abona, nada, acerca da dimensão dos referidos executivos.
Que depois de terem diligentemente assassinado o famigerado Centro Histórico, vêm esforçadamente fazendo o mesmo às, assim incorretamente chamadas, “festas da Cidade”.
E em qualquer dos casos por inação.
Preferindo continuar a ser, como os Essénios diziam dos Fariseus: “aqueles que procuram as coisas fáceis”.
Por inércia, já se vê.
Mas não só. Também por manifesta falta de coragem e clarividência.






Sem comentários:

Enviar um comentário